sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Você tem o direito de permanecer em silêncio Parte III - O fim

- Eu o que???????? Tá maluco? Soco? Arranhão??

O policial desceu da viatura e me mediu inteira. Depois olhou pro cara e então me olhou novamente. Pelo protótipo de sorriso que ele tentou esconder, imagino até o que pensou. Deve ter sido algo como "tá de sacanagem que você apanhou dessa miniatura de gente". Mas ele precisava seguir o protocolo, certo?

- Identidade, por favor, senhora. Falou o policial.

- É sério isso? Estou sem minha bolsa (nem lembrava onde tinha deixado a pobre.. provavelmente, no carro, ou no hotel).

- A senhora está de carro?
- Não.
- Tem alguém de carro com a senhora? Pois vou ter que levá-la para a delegacia.
- Tá de onda, seu policial. 
- Sabe o número do seu documento?

- Ela foi muito grossa!! Me arranhou, me deu um soco! Me mandou tomar no c*!!!!!! Disse o sujeito.
-EPAAA!!! Para tudo. Sou uma professora, meu caro. Não uso esses termos baixos. No máximo eu teria dito pra você ir dar meia hora de bunda! Mas nem isso eu falei.
- ??? (é.. a piada foi inteligente demais pra ele.)

- Olha, seu guarda, ela me arranhou. E me empurrou desse jeito. E me deu um soco. Disse ele.

(juro que foi assim! Me fez até lembrar da Xiquinha, do Chaves, quando conta que apanhou de alguém)


Mas nisso a raiva voltou de maneira tal que a vontade foi realmente arranhar, dar soco e mandar tomar no c*.

Bê já estava nerva, tentando me acalmar. Quanto mais ela tentava, mais irritada eu ficava. Quase que a raiva foi direcionada para ela, tadinha.
Eram quase 2h da manhã e os policiais queriam mais era ir embora. Mas o tal vereador queria prisão e processo. E, pra isso, trouxe testemunha falsa e tudo.

MAS, ele não contava com o meu anjo da guarda, que faz hora extra e ainda é o cara! Um dos produtores é/foi político influente na tal cidade. E chegou bem na hora em que o policial anotava meus dados. Sabe como é cidade pequena, né.. Todo mundo conhece todo mundo. Assim que viram o produtor, os "polícias" sorriram e mudaram de postura comigo. E sujeito ficou desbundado (hohohoh).

Um deles me chamou na chincha e soltou:


- Olha, a namorada de sujeito é uma barraqueira de mão cheia. Além disso ela é o macho da relação. Sabe como é... manda e desmanda nele. Então ele resolveu, agora, honrar as calças que veste e mostrar que não é bem assim como ela pensa. Ele só quer tumulto. Isso não vai dar em nada. Não se preocupe.

Te dizer que aí que a raiva aumentou de vez. Se eu tivesse um gato morto por perto, batia com o gato no sujeito até ele miar (o gato, não o sujeito!!). Então ele era ainda mais covarde do que gostaria de admitir. Criar caso com uma mulher, ao invés de encarar um macho do tamanho dele. Não mereço. Ou talvez eu tenha picado cebola na tábua dos dez mandamentos.... Vai saber.

Enfim, o produtor/político colocou panos quentes na situação; o vereadorzinho queria que eu me desculpasse - coisa que me recusei a fazer, aliás; minha cunhada se irritou comigo por causa disso e eu fiquei irritada a ponto de perder a fome.

Mas não foi dessa vez que fui parar na delegacia. Segundo minha cumadre, ainda. Porque, né, a pessoa aqui é muito sem noção do perigo.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Você tem o direito de permanecer em silêncio Parte II

O cara continuou andando, enquanto puxava a namorada pela mão.
Não pensei duas vezes: espalmei a mão no peito do sujeito abusado e repeti a frase "O senhor NÃO PODE passar por aqui". Claro que a voz já estava alguns decibéis acima do que seria uma voz calma.

E assim foi travada a luta. Ele começou a gritar que não voltava; eu, que tinha perdido completamente a noção, puxava ele e apontava para o lugar de onde ele tinha vindo, enquanto gritava de volta que ele não ia MESMO passar por mim. Nisso, namorada e Bê entraram na briga. Bê pra me controlar, e namorada pra incentivar o sujeito. Mas, como eu digo, depois que eu viro no Saci, não há peneira que me ponha na garrafa.

Ficamos os dois discutindo quem falava mais alto, quem tinha mais razão. Ele me ameaçava, dizendo que eu não sabia com quem estava falando (típica argumentação de gente babaca), e eu disse que não tinha medo. E ficamos nessa até eu, aparentemente, ganhar a disputa. Ele saiu dizendo que ia chamar a polícia. Eu, que nunca tive medo dessas coisas, ainda fui malcriada e respondi um "Então chamaaaaaaaaaa", com muita raiva.

Nisso, claro, as pessoas passavam e olhavam toda aquela cena. Uns pararam e ficaram até o final de toda a fuzarca, mas ninguém tomou atitude nenhuma.
Eu e Bê, então, sentamos e continuamos esperando que alguém viesse nos resgatar daquele tumulto (lembre do $$ da bilheteria no bolso da jaqueta).

Dez minutos, vinte minutos, meia hora..... Nem sinal de produtores, nem sinal de equipe de segurança. Ódio, muito ódio no meu coração.

E de repente, luzes piscando e um som de sirene desligando.

"Foi ela ali, seu guarda, que me aranhou e me deu um soco".

Eu o que??????????

Continua amanhã.....

(Pessoas, não é por mal que eu tô dividindo não.. é que a história é longa e eu ando suuuuuper sem tempo pra escrever tudo. Cheguei do trampo e vim logo pra ca. E agora vou tomar banho pra comer alguma coisa e ver o jogo do Botafogo.. Percebe como a vida anda corrida pro meu lado??)

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

"Você tem o direito de permanecer em silêncio" Parte I - ou o dia em que eu seria presa

Gui se meteu a produzir shows. Mas como eram os primeiros shows, ainda, a equipe era quase toda de amadores. Eu, claro, estava na equipe. Minha função era receber os ingressos na entrada do show e, depois, supervisionar a bilheteria. Esta foi montada ao lado da entrada, com aquelas cabines de plástico e protegidas por grades de segurança. Teoricamente existiria uma equipe de segurança nos dando suporte.

Já na primeira função tive problemas. Algumas pessoas resolveram me dar carteirada. "Eu sou delegado de música", ele disse. Minha melhor cara de Barbie na caixa respondeu um "E eu com isso?" que irritou o homi. A ordem era clara: só entra quem tem ingresso. Pra entrar de graça, tem que ter ingresso de cortesia. Simples assim. E outras criaturas abusadas que, por verem uma menina de meio metro ali, tentaram tirar uma onda. Qua qua!

Então acabou o show e a grana da bilheteria estava no meu bolso. Meu e de Bê, que estava comigo nessa empreitada. O pessoal da segurança virou poeira cósmica e me deixou sem rádio pra falar com os produtores. Celular? Não dava sinal. De jeito nenhum eu deixaria ela ir sozinha chamar o produtor, ou ficar sozinha enquanto eu iria. Devíamos ficar juntas, com aquela dinheirama no bolso. Como os loucos tinham deixado alguns pertences nas cabines de bilheteria, também não era viável sair e largar tudo lá. O que fazer, então? Sentar e esperar a multidão passar, ou alguém da produção vir nos resgatar.

Eis que a multidão saía do show. E, como bons brasileiros que são, tentaram dar um jeitinho de sair mais rápido, pulando a grade de segurança que separava a multidão das cabines - e de mim. Lógico que meu jeito simpático de ser se manifestou de imediato e mandei que voltassem. Por incrível que pareça, eles voltaram. Mas, eis que do além, de onde não vem ninguém, surge quem?? Um político babaca qualquer que se achava o Trakinas mais recheado do pacote por ter sido eleito numa cidade do interior do Estado. E acha que isso é razão suficiente pra desrespeitar o que eu disse. Se eu deixasse ele passar, teria que deixar todos os outros também.

Mais que depressa levantei e fui barrar o moço.
Braço estendido, mão espalmada em sinal de "Pare" e a frase "O senhor não pode passar por aqui", dita com a melhor cara de pitbull que eu faço quando estou irritada, deviam ser suficientes. Mas ele olhou meu meio metro de baixura e achou que podia comigo.

Continua em dois dias...........

domingo, 1 de novembro de 2009

Malas, G-4 e outras histórias

Eu pretendia escrever um texto sobre essa rodada do Brasileirão, mas me irritei aqui e desisti.
No entanto, digo apenas uma coisa:

Se a mídia altera e define os contornos da política e da economia nacional, quem pode determinar sua real influência nos campeonatos de futebol??

E antes que venham propor longos tratados sobre o que é e o que deixa de ser o poder da mídia, lembro apenas uma coisa: não discuto religião ou política. E, pra muita gente, futebol É religião. Logo, nem percam seu precioso tempo tentando me fazer mudar de opinião. Opiniões são bem vindas, mas não vou discutir nenhuma delas.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A vingaça nunca é plena

Mata a alma e a envenena. Já dizia o grande filósofo Chaves. E por isso nunca cheguei a me vingar. Não que tenha faltado vontade. Vamos falar a verdade: algumas vezes a pessoa nos sacaneia de tal forma que é inevitável planejar a vingança contra tal ser. Mas eu fico só no planejamento. Porque, né, a vida se encarrega de cada um mesmo. E quando vejo, a pessoa recebeu até um pouco mais do que eu teria feito.
E não é que essa semana eu vi isso acontecer de novo?

Que? Coração Peludo? O meu?????????????
Ah sim, é isso mesmo.