quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Amigo é coisa pra se guardar

Não sei manter amizades. É triste, eu sei, mas também é a verdade.
Sabe essas amizades de filme, em que desde crianças eles fazem tudo juntos, aprontam, se machucam, entram na faculdade e continuam amigos para sempre? Pois não tenho nenhuma dessas histórias pra contar.

Desconfio que tudo começou porque Dona Mãe não gosta de criança. Complicado pra alguém que teve quatro filhos, não é? E como isso resultou na minha inaptidão pra manter amizades? Simples: meus amigos não vinham na minha casa e eu não ia na casa deles. As duas únicas pessoas que vinham brincar comigo eram minha prima (mãe do bebê mais delícia da Terra) e uma vizinha - que foi minha melhor amiga por muitos anos. E eu só saía pra casa delas duas e de uma amiguinha que tinha na igreja dos meus pais - que era um pouco mais velha que eu, mas como o irmão mais novo dela era amigo do meu irmão, eles brincavam juntos e eu brincava de boneca com ela.
E então virei adolescente e o regime ditatorial continou. Muito mal eu viajava com meus tios nas férias, ainda não ficava na casa de ninguém e o telefone também era regulado. Ou seja, socialização quase nenhuma. E Dona Mãe, por não gostar de criança, também não era de levar meus amigos a nenhum lugar. No máximo os sobrinhos, e já basta.
Foi assim que cresci uma pessoa autista. Minhas relações sociais eram com a minha família. Meus 3 manos e os primos eram meus referenciais de amizade. E meu passatempo era sempre isolado ou, no máximo, em dupla: videogame, livros, jogos de estratégia. Isso me tornou muito (mas muito mesmo) diferente das pessoas com as quais tenho que conviver hoje em dia. E uma das grandes diferenças é que me acostumei com a distância entre as pessoas. Não é por mal, mas acabo sempre preferindo fazer as coisas sozinha. Tenho meus amigos queridos? Tenho alguns. Mas se a vida começar a afastar a gente, deixo. Até me esforço um tantinho pra manter o contato, mas se a pessoa não responde, ou demora a dar um retorno, então abro mão. Desde pequena acostumei a ter por perto só o quarteto fantástico, e é com eles que conto desde sempre. Ficar longe deles, aí sim, é uma tortura das grandes.
Se eu sinto invejinha de histórias como as da irmandade do jeans viajante? Sinto pra caramba. Só que nunca vai acontecer pra mim, porque simplesmente não consigo ser esse tipo de amiga. Apesar disso, as pessoas que conquistam meu coração, conquistam pra sempre. Por mais que estejam longe, meu amor por elas é o mesmo. Sinto saudade, me importo e me preocupo da mesma maneira de sempre. Se precisarem de mim, não me nego a estar perto, a ajudar. Só não faço muito esforço pra estar sempre junto. Sabe por que? Porque a distância é a mesma, e se a outra pessoa não se esforça pra vir, pelo menos, até a metade, é porque não se importa tanto. E se não importa tanto, então não faz diferença se eu faço, ou não, contato.
O terapeuta disse, certa vez, que não me importar foi o modo que encontrei pra não sofrer quando as pessoas vão embora, ou me magoam. É provável que ele esteja certo, vai saber..
Mas também é péssima a constatação de que o tempo passou e eu, na verdade, só tenho a mim mesma; que os amigos que mais se importam são os que estão mais longe; que, no fundo, não aprendi a confiar em ninguém.

5 pitacos:

Luciana Matos disse...

Entendi se ponto de vista sim querida, e fico pensando se eu não deveria ter feito mais pra manter a amizade, sabe?!
Mas enfim, Deus sabe o que faz.
Beijões

Páginas Da Minha Vida disse...

"Só não faço muito esforço pra estar sempre junto. Sabe por que? Porque a distância é a mesma, e se a outra pessoa não se esforça pra vir, pelo menos, até a metade, é porque não se importa tanto. "

Menina, você resumiu tudo o que penso sobre amizade.Tb não tenho muitos amigos, e os que tenho, não corro tanto atrás, justamente porque eles tb não me procuram tanto.E fica assim.É legal ter amigos, mas se perde o contato , a vida segue, pelo menos para mim.

bjs

Luciana Matos disse...

Mas eu perturbo ela! Ligo pra reclamar dos patrões escravocratas do telemarketing que deixam a minha amiga enfurnada lá e não vem me visitar! rsrs!
Quando estamos muito sumidas uma da outra a gente se liga, ou manda e-mail...
Ela tá presente (menos do que eu gostaria, é verdade), ela é a tia Dê! rs!
Mas a vida tá muito louca ultimamente, a gente tem que prestar mais a atenção nas pessoas, porque senão fica assim, alguém pode estar precisando da gente, super triste e a gente nem sabe...
Beijo!

Elaine disse...

Minina! Esse post parece escrito por mim!
Eu sou assim também, tenho poucos amigos porque sou independente demais e quando vejo já fiz tudo sozinha, sem pedir ajuda e a vida passa sem que eu dê um oi pros amiguinhos rsrs...
Acho que tenho esse lado autista também.
Beijo grande!!

Alicia F. disse...

eu caí no teu blog por acaso, clicando lá em "próximo blog", e comecei a te seguir porque me identifiquei muito com esse texto e na hora que li não ia ter tempo de comentar.
faz anos que to buscando uma explicação pra ser sem amigos (ainda não me animei a experimentar a terapia) e acho que finalmente to conseguindo aceitar isso de que a vida é passageira. perdi contato com todos meus amigos da escola quando mudei pra um outro colégio (e meus melhores amigos se mudaram para outros estados); depois perdi contato com os do colégio quando entrei na faculdade e assim sucessivamente, rs!
claro que o carinho sempre fica, mas também me canso de ser a única que se esforça. se não é recíproco, deixo de procurar. a coisa também se agrava porque sou muito fechada, como diz a minha irmã, e demoro muito pra confiar em alguém.
enfim, como vc mesma disse, as relações humanas são bastante complicadas!

 

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