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terça-feira, 23 de abril de 2013

A arte de desejar e ficar frustrada ao conseguir

Em 2010 eu estava numa escola que já não me dava alegria. Tudo o que queria era que o ano acabasse, meus amores terminassem a educação infantil e eu poderia ir embora com a sensação de dever cumprido. Queria muito ir pra uma escola mais perto, onde não precisasse subir 30 minutos a pé pra chegar lá.
E consegui o que queria. Acabou o ano e fui pra outra escola. Mas a outra escola era pior que a primeira. A diretora era mais maluca, mais tirana, o espaço era infinitamente menor, os pais eram mais abusados... Foi horrível! Foi tão horrível que fiquei só seis meses e implorei pra sair daquele lugar. E consegui ir pra onde eu realmente queria, desde o começo.
A escola era linda, o bairro era lindo, as colegas professoras eram ótimas. Mas eu ainda não estava feliz. Só que era o que eu queria, então arrumei um jeito de ficar feliz, mas só consegui ficar frustrada.
O que sei é que as coisas aconteceram de um jeito que não fiquei nesta escola também. Fui pra outra, mas fui muito chateada. Não era onde eu queria estar, não era bonito, não era nada do que eu queria, mas é exatamente onde estou feliz. É verdade que demorei a perceber isso, mas estou feliz de novo com o meu trabalho.

Estou falando isso pra vocês porque preciso me lembrar de que nem sempre o que desejo é o que me deixa feliz. Às vezes (e é o que tem acontecido atualmente) quero tanto uma coisa, mas tanto, que fico frustrada depois de conseguir, porque não era bem do jeito que eu imaginei que seria.
Preciso lembrar que leva tempo até que tudo entre nos eixos e funcione direito.
E enquanto isso não acontece, bora aprender a lidar com a frustração.

domingo, 31 de março de 2013

True Colors

You with the sad eyes
Don't be discouraged
Oh I realize
It's hard to take courage
In a world full of people
You can lose sight of it all
And the darkness inside you
Can make you feel so small
 But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow



Frigideira

Por que raios ele tinha que surgir na minha vida e bagunçar tudo, se não queria nada?
Por que cacetas tinha que dizer coisas tão fofas? Por que ter o melhor abraço, ser tão inteligente, carinhoso, charmoso, sexy, divertido???? Não podia ser um ogro? Eu não gosto de ogros. Teria sido só divertido e ponto.
Mas não. O raio do homem tinha que ser do jeito que eu sempre quis e, pra variar, não me querer.

Começo a achar que sou uma frigideira.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O dia em que chorei contando histórias

Guilherme Augusto Araújo Fernandes

Guarde este nome que já vou chegar nele.
Um dia, fui ler uma história para a turma e escolhi um livro qualquer. Julguei pela capa, é verdade (crianças, não façam isso, ok?). Eles pediram tanto para contar uma história que fui na biblioteca, peguei um livro aleatório e voltei pra sala.
O livro era tão bonitinho. Os desenhos não eram lá tão elaborados, mas eram fofinhos.


Então, lá fui eu. Sentamos, cantamos a musiquinha do silêncio e a professora começou a contar a história do Guilherme Augusto Araújo Fernandes.

"Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era tão velho assim.

Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
Ele gostava da Sra. Silvano que tocava piano.
Ele ouvia as histórias arrepiantes que lhe contava o Sr. Cervantes.
Ele brincava com o Sr. Valdemar que adorava remar.
Ajudava a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
E admirava o Sr. Possante que tinha voz de gigante.

Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela também tinha quatro nomes, como ele."

Pô, bonitinho, né. As crianças estão se amarrando. Legal! Vambora continuar.

" Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.

Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
- Coitada da velhinha - disse sua mãe.
- Por que ela é coitada? - perguntou Guilherme Augusto.
- Porque ela perdeu a memória - respondeu seu pai.
- Também, não é para menos - disse sua mãe. - Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
- O que é memória? - perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
- É algo de que você se lembre - respondeu o pai."

Bah... logo uma história sobre velhinhos com Alzheimer, logo quando estou vendo minha vóvs triste por estar perdendo a memória dela.. Mas vambora. As crianças ficarem quietas com uma história é realmente um milagre, então deixa eu terminar.

"Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava piano.

- O que é memória? - perguntou.
- Algo quente, meu filho, algo quente.
Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar que adorava remar.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro."

E foi então que a professora maluquinha aqui começou a sentir algo estranho... Tipo uma emoção mais forte, sabe?

"Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia, já que ela havia perdido as suas.

Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo, e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha."

E já tinham lágrimas nos meus olhos, mas ainda davam pra disfarçar. As crianças já me olhavam meio de lado, como que pensando que a professora era perturbada, mas eles não tinham muita certeza disso.


"Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de sua cesta.
Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas", pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul, todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha, que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido encontrada, por um menino que nem era tão velho assim."

E não deu mais pra me conter. Eu chorei. Claro que não sentei no chão e banquei o bezerro desmamado. Mas as lágrimas furtivas acharam de sair com mais volume, e tive que parar num momento ou outro pra secar os olhos, porque estava difícil enxergar. E as crianças me olhando com uma cara estranha, preocupadas porque a tia tava chorando.

Ah, gente, é que eu finjo que não, mas sou emotiva pra caramba. Nem vou dar crédito para a TPM dessa vez. Mas é que velhinhos e crianças mexem comigo de uma forma que vcs não imaginam. Além disso, minha vóvs fofa-linda-querida-amada-salve-salve tá sofrendo disso, meu pai já tem sintomas, então sei como é ver alguém que você ama deixar de ser ela. E ler uma coisa tão fofa, tão delicada assim sobre isso me deixou mole.

É, eu chorei na frente dos meus alunos e estou contando isso publicamente.
Aproveitem, porque, vocês sabem, não é sempre que mostro meu lado frágil por aqui.


Fonte:

FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984

sábado, 12 de março de 2011

Hoje a tristeza não é passageira

Hoje me peguei pensando em coisas tristes. Em coisas muito tristes, pra dizer a verdade. Isso, pra mim, é uma coisa até bem comum. Magina... a pessoa já teve depressão duas vezes nos últimos dez anos.

E, não, não estou me lamuriando. Só estou fazendo valer o propósito original deste blog, que é pôr pra fora o que está me incomodando.
Às vezes eu acho que a vida é tão complicada.. A minha vida. Porque questões tão simples pra maioria das pessoas acabam tomando proporções ridiculamente grandes comigo. E não é que eu esteja dramatizando. Não estou mesmo. É que coisas simples, simples de verdade, como um móvel com defeito, ou todo o estresse com o banco, acabam complicando e me deixando irritada, e me fazem perder tempo pra resolver e gastar energia, me deslocar, pensar.... E fazer tudo isso sozinha.. É desgastante demais ser responsável pelo outros e não ter ninguém responsável por mim.
Tem horas que eu canso de ser o máximo, de ter sempre resposta e solução pra tudo e quero apenas soluçar até dormir cansada. Em alguns momentos eu realmente me pergunto se a vida não poderia ser menos complicada pra mim.
É só hoje, e isso passa.. Talvez não amanhã, mas logo estou rindo de todos os problemas outra vez, e vendo a vida com óculos rosa. Porém hoje.... hoje eu troquei pelas lentes cinza-escuro.

segunda-feira, 7 de março de 2011

E por falar em saudade, por onde anda você?

Sabe quando você sente falta de alguém? Mas aquela falta que te tira o ar e te deixa triste? Aquela falta que te deixa com aquela vontade de ligar, de comprar passagem pra ir visitar, de andar até Saracuruna pra ver a pessoa ou atravessar o Atlântico a nado?
Detesto sentir esse tipo de falta, porque é uma falta precisada da pessoa. E, você sabe, não gosto de precisar de ninguém. Mas tem horas que o coração é mais forte e eu fico assim, nessa tristeza, nessa falta de ar, nessa necessidade de ter por perto.
E ae você me pergunta por que eu não telefono, ou não vou visitar. E eu respondo: se tem uma coisa que aprendi é a respeitar o espaço alheio. Se eu já manifestei a minha saudade uma ou duas vezes e a pessoa foi indiferente - seja pelo motivo que for -, nunca que vou procurar tão cedo. Orgulho bobo? Pode ser que sim. Mas acho que a distância é a mesma. Minha vida é agitada o bastante para que me falte tempo pra muitas coisas, e por mais que falte tempo pra um café, ou almoço, ou passeio no parque, sempre há um tempinho pra mandar um email, um torpedo, dar uma ligadinha.. Se o outro não considera da mesma maneira, não vou ficar no pé, cobrando amizade e amor. Esse tipo de coisa não se cobra. Ou o outro está disposto a oferecer, ou não.

Acontece que, mesmo tendo consciência disso, meu coração é fraco o bastante pra sentir falta. Falta da voz, do sorriso, das discussões, do olhar, do cheiro, do jeito de vestir ou de me repreender. Logo essa falta precisada da presença.

E por isso estou aqui, escrevendo estas linhas. Porque estou com saudade e queria dizer. Porque meu coração está apertado demais de vontade de ouvir sua voz e te abraçar, e rir contigo e chorar contigo outra vez. Porque te trago em meu coração para sempre e porque você é parte de mim. Porque todas as vezes que você diz que vai me ligar pra nos encontrarmos, meu coração se alegra e eu sei que é em vão, porque nunca nos encontramos. É por isso que sinto tanto a sua falta.




Esse texto foi escrito para uma pessoa específica, mas a falta de vários amigos, que também são parte de mim, é sentida diariamente (tá bom, Mafiosas??). Com menos drama, é verdade, mas de forma intensa também. Só pra deixar claro.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Da volta ao trabalho, porque não há de ser nada.

A escola nova é bem pequenina, principalmente em relação a anterior. Juro que me sinto quase claustrofóbica. Mas não há de ser nada.
Minha turma é a de dois anos e espero muito choro e ranger de dentes nesses primeiros meses. Muita fralda pra trocar e chupetas pra lavar. Mas não há de ser nada.
As pessoas.... bem, as pessoas. Pra quem assiste Lie to Me há três anos e sempre lê os livros de psicologia da mãe, acho que leio razoavelmente bem as pessoas. São malucas, claro. Não existe um professor que seja bom da cabeça (Ceci e Bia, queridas, me desculpem, mas é verdade). Mas parecem menos malucas que as antigas colegas - o que já é um progresso. E a diretora.. bom, só o fato de eu não chamá-la de Didi quer dizer algo, né? Mesmo ela sendo "melhor amiga de infância" da Didi. Mas isso não há de ser nada.

A escola é na Cantareira - e explico pra quem não conhece Niterói: Cantareira é O FERVO que fica nas imediações da UFF. Ou seja, diversão garantida sempre que houver estresse. E isso há de ser tudo.
Estou feliz de ter mudado e torcendo pra que o ano seja tão leve quanto foram as férias. Mas, se não for, não há de ser nada!

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Tô MEGA feliz com meu bloguinho novo e mais feliz ainda porque várias amigas da Elaine resolveram visitar pra prestigiar o belo trabalho que ela fez e acabaram ficando.
Meninas, sejam muito bem vindas. Eu sou meio relapsa pra retornar e tudo, mas não é por mal. Pense numa professora que, além dos planos de aula, avaliações e blablabla, ainda gasta quase cinco horas do dia no trânsito e que faz de 10 a 14 matérias na faculdade. O tempo é artigo de luxo, né? Mas sempre que eu resolver chutar o balde, darei o ar da minha graça na casa de vcs, ok?
Brigadin pela presença por aqui.
;-)

sábado, 29 de janeiro de 2011

Considerações sobre Montevidéu


Então que estou de volta ao Rio (e derretendo com esse calor) e já sinto saudade do Uruguai.
Sim, porque lá venta o tempo TODO. Venta tanto que as antenas de celular (aquelas grandonas, tá!? por favor não pense que é a do aparelho) cantam com o vento. E te assustam a noite, até que você descubra que a cidade não é assombrada.

E o Sol?? Não vai embora nunca. E a Lua só vai embora de tarde, quando já está quase na hora de voltar. Acho que o Feitiço de Áquila não acontece no Uruguai, porque os astros se encontram pra namorar..

Preciso lembrar de estar muito magra da próxima vez que visitar a cidade. Como se come naquele lugar. Acho que não teve uma única refeição que eu tenha comido toda. Em outras palavras: joguei dinheiro fora com comida e ainda assim voltei gorda. Não é de Deus. Não que a comida seja ruim - porque é exatamente o contrário, é boa pacacetas -, mas é que vem sempre em quantidade pra alimentar cinco soldados da guerra.

Uruguaios são bonitos. Mas os cabelos deles.... Céus. Esquadrão da moda djá! Fiquei pensando se as tesouras não estão todas cegas e por isso os cabelos ficam cheios de ponta. Pena que não pensei em fotografar, pra ter prova agora, mas não tô falando daquelas pontas maneiras. Parecia MESMO que o corte ficou inacabado. Tipo, tô no salão e o celular toca com alguém dizendo que meu cachorro tá morrendo e eu simplesmente saio correndo, com avental preso no pescoço e tudo. Cortado tipo assim. Juro.

A cidade deles é imunda, cheia de caca de cachorro. Um nojo! E olha que o Rio nem é essa limpeza toda, mas lá era demais pro meu gosto. A companhia de limpeza urbana deles não passa com o caminhão recolhendo o lixo das casas, nem tem gente todo o tempo varrendo a cidade. O que tem são lixeirões gigantes em algumas ruas, onde as pessoas jogam o lixo residencia. Pense no odor que sai dali.. Nesse caso eu acho até que entendo as pessoas jogarem lixo no chão. Não é nada agradável sentir aquele bafo de carne estragada só pra se livrar de um papel de bala. Talvez fosse mais fácil se houvesse aquelas lixeirinhas de poste, tipo tem no Rio, pra pequenos volumes..

Acho que é isso..
Pra fechar esse post enorme, deixo uma imagem da beleza natural da cidade.


Beijos

sábado, 22 de janeiro de 2011

Redescobrindo o prazer de rir

Essa semana eu ri. Ri de gargalhar, como não faço há muito tempo.
Foi um ano muito difícil, esse que terminou. E tive bem poucas razões pro riso solto, descontraído, daqueles que todo mundo ri junto, só porque é gostoso. E já não me lembrava de como é bom rir a toa.
Confesso que viajei me sentindo muito culpada. Por vários motivos, que nao vem ao caso, quase desisti de vir. Mas tem sido tão incrivelmente gostoso me desligar completamente de tudo o que me preocupou o ano inteiro. Rir até chorar (ou fazer xixi, o que vier primeiro), comer sem culpa (e engordar mais de dois quilos em uma semana), fotografar T.U.D.O., dormir cedo, dormir tarde, acordar com os pássaros cantando na janela, acordar com o cheiro de café da casa do vizinho e rir, rir muito, até o rosto doer e o fôlego acabar. Por tudo, por nada, porque estou com o Mauro, porque estou viva.. Rir. E me sentir viva de novo, mais jovem até.
Certo era o Bozo, quando dizia que, pra viver, é melhor sempre rir.
Tentarei não esquecer disso quando voltar ao Brasil e a rotina voltar com força.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Amigo é coisa pra se guardar

Não sei manter amizades. É triste, eu sei, mas também é a verdade.
Sabe essas amizades de filme, em que desde crianças eles fazem tudo juntos, aprontam, se machucam, entram na faculdade e continuam amigos para sempre? Pois não tenho nenhuma dessas histórias pra contar.

Desconfio que tudo começou porque Dona Mãe não gosta de criança. Complicado pra alguém que teve quatro filhos, não é? E como isso resultou na minha inaptidão pra manter amizades? Simples: meus amigos não vinham na minha casa e eu não ia na casa deles. As duas únicas pessoas que vinham brincar comigo eram minha prima (mãe do bebê mais delícia da Terra) e uma vizinha - que foi minha melhor amiga por muitos anos. E eu só saía pra casa delas duas e de uma amiguinha que tinha na igreja dos meus pais - que era um pouco mais velha que eu, mas como o irmão mais novo dela era amigo do meu irmão, eles brincavam juntos e eu brincava de boneca com ela.
E então virei adolescente e o regime ditatorial continou. Muito mal eu viajava com meus tios nas férias, ainda não ficava na casa de ninguém e o telefone também era regulado. Ou seja, socialização quase nenhuma. E Dona Mãe, por não gostar de criança, também não era de levar meus amigos a nenhum lugar. No máximo os sobrinhos, e já basta.
Foi assim que cresci uma pessoa autista. Minhas relações sociais eram com a minha família. Meus 3 manos e os primos eram meus referenciais de amizade. E meu passatempo era sempre isolado ou, no máximo, em dupla: videogame, livros, jogos de estratégia. Isso me tornou muito (mas muito mesmo) diferente das pessoas com as quais tenho que conviver hoje em dia. E uma das grandes diferenças é que me acostumei com a distância entre as pessoas. Não é por mal, mas acabo sempre preferindo fazer as coisas sozinha. Tenho meus amigos queridos? Tenho alguns. Mas se a vida começar a afastar a gente, deixo. Até me esforço um tantinho pra manter o contato, mas se a pessoa não responde, ou demora a dar um retorno, então abro mão. Desde pequena acostumei a ter por perto só o quarteto fantástico, e é com eles que conto desde sempre. Ficar longe deles, aí sim, é uma tortura das grandes.
Se eu sinto invejinha de histórias como as da irmandade do jeans viajante? Sinto pra caramba. Só que nunca vai acontecer pra mim, porque simplesmente não consigo ser esse tipo de amiga. Apesar disso, as pessoas que conquistam meu coração, conquistam pra sempre. Por mais que estejam longe, meu amor por elas é o mesmo. Sinto saudade, me importo e me preocupo da mesma maneira de sempre. Se precisarem de mim, não me nego a estar perto, a ajudar. Só não faço muito esforço pra estar sempre junto. Sabe por que? Porque a distância é a mesma, e se a outra pessoa não se esforça pra vir, pelo menos, até a metade, é porque não se importa tanto. E se não importa tanto, então não faz diferença se eu faço, ou não, contato.
O terapeuta disse, certa vez, que não me importar foi o modo que encontrei pra não sofrer quando as pessoas vão embora, ou me magoam. É provável que ele esteja certo, vai saber..
Mas também é péssima a constatação de que o tempo passou e eu, na verdade, só tenho a mim mesma; que os amigos que mais se importam são os que estão mais longe; que, no fundo, não aprendi a confiar em ninguém.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Parlamentares ficam de bolso cheio e boca calada

Hoje eu tô com a macaca. Pra piorar, achei de ler o jornal que meu pai deixou aqui no escritório e quase pirei. Tudo bem que o aumento do salário dos parlamentares não é novidade pra mim, mas ler todo o trâmite da votação me deu nojo.
Transcrevo partes da reportagem que me deixou louca da vida.

Começa com um cretino desses comparando o salário do deputado ao dólar:

“Se fôssemos fazer a devida correção, o valor seria quase o dobro do que a Mesa está propondo, pois teríamos de voltar lá atrás, antes de 1988, talvez a 1986, para fazer a correção. Quando entrei nesta Casa, em 1990, o salário do Parlamentar era de aproximadamente 20 mil dólares, o que equivaleria hoje a uns 38 mil reais, quase 40 mil. Não podemos fazer essa correção simples, porque extrapolaríamos o teto pago ao funcionalismo público. Temos de nos ater ao teto de hoje, não há outra forma de trabalhar”, declarou o atual quarto-secretário da Câmara.

Se ele gosta tanto assim de comparações, porque não compara o salário dos nossos parlamentares com o dos norte-americanos???? E, continuando as comparações, que ele veja o quanto ganha um professor do EUA e um do Brasil. Ele vai ver o que é necessário corrigir.
Não bastasse isso, me vem esse outro dizer que é crime eles ganharem menos que um policial. Carais de asas!!!! Um policial se arrisca diariamente, está sempre na adrenalina, sem saber se volta vivo ou não. E esse bando que está no parlamento?? Se arriscam a que???????? A parecerem ridículos no CQC, só se for. Porque nenhum deles faz nada que preste.

Abelardo Camarinha qualificou como criminosa a distorção salarial no Executivo. “De fato, um policial rodoviário ganhar 9 mil e um ministro 8 mil é um crime”, avaliou. O ex-prefeito de Marília (SP), que responde a 14 ações penais e inquéritos no Supremo, disse que os parlamentares precisam ter sua “independência financeira” para desempenhar melhor o mandato.

“Quanto ganha um diretor da Nestlé? Quanto ganha um diretor da Globo? Quanto ganha um diretor dos jornais de grande circulação do país? O que se passa nesta Casa?  Temos de ter independência financeira”, alegou.

Alguém diz pra esse filho da puta que o salário dele é pago com o meu imposto e que o de um diretor da Nestlé é pago com o lucro que a empresa tem. É uma sutil diferença, eu suponho...

Ae me vem outro engraçadinho e me sai com a seguinte pérola:
O deputado gaúcho Sérgio Moraes fez uma curiosa conta, levando em consideração o tempo que “perde” no avião, no aeroporto e nos deslocamentos terrestres, e chegou à conclusão de que passa cinco meses do ano “sem produzir absolutamente nada”.

Ele sabe quantas horas, diariamente, eu perco no maldito trânsito do Rio para chegar ao trabalho e ensinar crianças???? Sabe? São de seis a oito horas DIÁRIAS na porra do trânsito. Numa semana, são TRINTA horas perdidas. Em um ano, são MIL TREZENTAS E VINTE HORAS no trânsito. Cara, 1320 horas é MUITA coisa. Ele perde 5 meses? Eu (e metade dos trabalhadores cariocas e paulistas) perco OITO meses de vida no trânsito, para ir e vir do trabalho. E isso, pagando pelo transporte de merda que tem na cidade, sem serviço de bordo, sem motorista particular, sem carro do ano disponível pra me levar a qualquer lugar que eu queira ir. E esse cretino me vem com um discurso desses???? De boa, nessas horas eu sou a favor do terrorismo. Mandar uma bomba pro escritório desses fdps todos, porque do jeito que está é um absurdo. 
E o povo, idiota, continua votando de qualquer jeito: é o palhaço que teve a maior votação do país, é o ladrão com a ficha mais suja que pau de galinheiro que foi reeleito. E não votam na fulana porque "a voz dela é irritante". Caceta!! E desde quando a voz do Cid Moreira vai legislar bem??? Alguém se importa com a voz? Eu me importo com as ações dos políticos vigaristas que estão na Câmara e no Senado.
Não falem comigo sobre política. Tô numa fúria tal que queimaria fácil fácil as fuças desses vigaristas. Faço coro com quem está revoltado com essa vergonha. E acho que está mais do que na hora de alguma coisa ser feita. Na Argentina, por muito menos o povo põe a cara na rua, faz escândalo, esperneia. Na França e na Espanha, eles não se submetem a esse tipo de abuso. Sim, pessoas, porque isso é um abuso!!! O salário mínimo - que originalmente teria que dar para gastos básicos (alimentação, saúde, educação, moradia E LAZER) de uma família de 4 pessoas - é aumentado de centavo em centavo; sempre há choradeira no congresso pra votar aumento pra população. Mas o deles.... ah não, o deles tem que ser de milhão em milhão, pra ontem, e corrigidos!! Porque eles trabalham mais que a gente.
Tô vendo que ser honesto nesse país não vai me levar a nenhum bom lugar...
 

Sou seu dono

Olha, te dizer que uma coisa me apavora nesses relacionamentos atuais: os homens se acham donos das mulheres que estão com eles. E o que acho ainda pior: elas aceitam numa boa. Pelo menos por um tempo.
Nunca fui chegada nessas músicas bregas e ridículas românticas que fazem apologia ao ciúme e ao sentimento de posse. E sempre desconfiei de quem gosta (tá, ok, sou musicalmente preconceituosa).
Se isso ficasse apenas no plano musical, ainda estaria tudo bem. Mas já reparou a quantidade de casos que temos visto em que o namoro/casmento/noivado termina e o cara vai lá, dá umas porradas na mulher ou, pior, mata a pobre? O caso de ontem, que o noivo atirou na noiva e no padrinho, no altar da igreja, na hora do casamento, me deixou em choque. Como assim, gente?! Não sei se a noiva se pegava com o padrinho e isso despertou a fúria do noivo, mas então por que não cancelou o casamento? Precisava matar todo mundo?? A mulher, então, não tem mais direito de mudar de idéia. Uma vez que se envolva com um sujeito, tem que ficar presa a ela para todo o sempre. É isso? Porque, olha, isso me faz desejar cada vez menos estar seriamente com alguém.
Dae alguém pode me dizer que "é só escolher direito". E respondo que as pessoas estão cada vez mais malucas, e que psicopatas estão por ae, convivendo com você e aposto que você nunca notou. É claro que algumas situações são notoriamente loucas desde o começo, mas não são todas. E como fazer, então? Não tenho condição de responder essa pergunta, infelizmente. Queria ter uma receita eficiente pra passar a todas as mulheres para que nenhuma mais seja vítima de homens que se acham donos das bu***as alheias. Mas a única coisa que posso dizer é que, se o seu namorado/ficante/noivo/marido levantar a voz pra você em alguma discussão, ou se, no calor de uma briga ele cerrar os punhos e falar entre os dentes, é sinal de violência e você deve sair dessa relação o quanto antes, porque um dia ele não vai controlar o impulso violento que tem dentro dele e vai te agredir. E eles normalmente batem antes de atirar ou esfaquear.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!!

Hoje acabou o estresse. Acabaram os gritos mandando Maurício parar de destruir a parede. Acabaram as brigas de Mamulengo e J.K. Acabaram as saliências de Flor.

Mas também acabaram as perguntas desconcertantes de Ton, os abraços de Mô, o olhar apaixonado de Amor Infinito. Hoje acabou um capítulo da minha vida profissional.
Minha primeira turma, meus alunos, terminou a educação infantil e saiu da escola. Eu também pedi pra sair. Corro o risco de nunca mais saber deles. Esses que me levaram a loucura, tantas vezes. Mas que também me fizeram chorar de emoção ao conseguirem pular sozinhos, se vestirem sozinhos, escreverem, lerem, responderem como eu responderia. Esses que me fizeram sorrir com suas bobeiras e respostas inusitadas, com suas flores roubadas do quintal do vizinho pra me dar, com seus desenhos coloridos e perguntas complicadas. Essas minhas onças.

A festa foi linda. Desgastante, é verdade. Deixar tudo pronto, com tanta coisa dando errado, foi realmente de surtar. E também foi emocionante. Todos foram as lágrimas: diretora, mães, convidados, alunos. Mas eu não derramei uma lágrima sequer. Estou chorando tudo agora. Agora que já acabou e eles se foram de verdade e pra sempre. Agora que estou olhando as fotos do evento, revendo o trabalho que tanto me tirou o sono nos últimos seis meses. E foi um dia lindo e que vai ficar pra sempre na minha memória.
Ah sim, porque depois de cinco longos anos sendo constantemente humilhada e tendo meu trabalho depreciado, o reconhecimento veio com pompa e circunstância. Veio pelos meus alunos, pela emoção das mães ao agraderem o trabalho excelente que foi feito com cada criança. Veio pela Secretaria de Educação e seu representante-mor. Veio por quem deveria vir. E isso compensou todo o choro, tristeza e frustração acumulados ao longo desse primeiro quinquenio.


Amor Infinito

Pequena onça e sua avó esperando a festa começar
Minha Mô, mostrando meu presente pras colegas

domingo, 19 de setembro de 2010

Hoje me deu a louca quando cheguei da prova, e resolvi dar uma limpa nos arquivos, emails, caixas...
E me deparei com uma carta enviada - e a réplica da pessoa - anos atrás. Engraçado como senti a mesma coisa que senti na época...
Preferia não ter encontrado. Mas não vai acontecer novamente; ela foi pra onde devia ter ido há muito tempo: a lixeira.

=/

terça-feira, 30 de março de 2010

O trabalho dignifica!

Será mesmo? Porque atualmente o que eu tenho visto de trabalho indigno, não está no gibi!
A ideologia burguesa da nossa sociedade diz que se você se esforçar, estudar, se dedicar, se aprimorar e trabalhar pesado, vai atingir seu lugar ao Sol. Tudo depende do seu empenho, é mérito pessoal. Mas o que essa maldita ideologia não nos conta é que muitas vezes você vai ser vítima do sistema, que seu chefe fdp pode te sacanear, que a sorte também ajuda, que os desonestos conseguem com mais facilidade. Ou seja, NÃO depende só do seu esforço.

E é por isso que, quando você está subindo as escadas do condominio, se depara com um funcionário varrendo, o cumprimenta e ele sequer levanta os olhos pra te retribuir. Ou mesmo dá de cara com aquela mulher de semblante triste, distribuindo panfleto na esquina. Já reparou o olhar desses trabalhadores? Como é triste, como lhes falta aquele ar de "estou fazendo um trabalho honesto, digno e, por isso, vou manter minha cabeça erguida"???

Isso sem contar naqueles empregos que devem ser chatérrimos. Fui parar na biblioteca esses dias pra estudar e fiquei reparando nos seguranças de lá. Cara, não poder falar com ninguém, ficar em pé o dia inteiro com cara de mau, repreender aquela gente sem noção que atende o celular na porta da sala de leitura (oi?!). Não sei se isso é exatamente uma opção que se faz pra carreira.

Pode ser politicamente incorreto o que vou dizer, mas até que pra essas profissões a pessoa não precisa de muito preparo intelectual. Geralmente quem ocupa essa vaga é aquela pessoa que teve pouca - ou nenhuma - oportunidade, que enfrenta mil problemas sociais pra se manter de pé a cada dia.

Mas tem também aquelas criaturas que estudam, se esforçam, mas se deixam levar por uma ideologia qualquer e vão parar em funções de grande importância social, mas nenhum reconhecimento. É o caso da minha classe. Porque professor, muitas vezes, é tratado como qualquer coisa; até mesmo como bandido - aliás, se tem uma gente que tem regalia é bandido (mas isso é assunto pra outro post)!!
Não sei quem viu o protesto dos professores em São Paulo. Perceberam o tratamento que a polícia dispensou a quem reclamava por melhorias nas condições de trabalho?? Não estou puxando brasa pra minha sardinha, mas é uma vergonha o que a gente passa. Canso de ouvir colegas de profissão dizerem que levar uma vida honesta não leva ninguém a nenhum bom lugar; que o lance é ser político, ou funcionário federal. A importância que se dá a um professor hoje é tanta que o aluno pode ameaçar, pode agredir, pode ridicularizar o profissinal, e ninguém faz nada. O próprio não pode fazer, os pais acham que ele mereceu, a direção fica entre a cruz e a caldeirinha, e quem se f* é o ser que responde por professor.

Tenho cá pra mim que está tudo fora do lugar... Os melhores salários são pagos não àqueles que desempenham função vital para a sobrevivência da sociedade, mas àqueles que são mais espertos e vendem melhor o seu peixe. Nenhuma sociedade sobrevive sem um mestre ou um curandeiro. Qualquer sociedade sobrevive sem jogador de futebol, corredor de F1, âncora de TV, ator de novela, ex BBB. Mas nossos valores estão invertidos. A Cesar não mais o que é de Cesar. Triste fim será o de sociedades assim. As pessoas se sentirão cada vez mais indignas em suas funções. E a tendêndia é que a procura por funções desnecessárias, porém super remuneradas, seja cada vez maior, sobrando cada vez menos espaço para o que é necessário. Até que isto se transforme numa bola de neve que implodirá de vez os valores morais e éticos que ainda restam na nossa sociedade...

quinta-feira, 25 de março de 2010

Tristeza, por favor, vá embora!

Céus, como eu odeio ficar triste. Taí um sentimento com o qual não sei lidar. Mas, depois de tanto tempo, ele veio de novo, e veio com muita força. O motivo de tanta tristeza?? Ah, meu povo... o que leva uma mulher a esse sentimento horrível?? O que? Amor? É... exatamente. Mas dessa vez é por uma perspectiva diferente.

Meus amigos são meus amores eternos. Tenho ciúme deles, sou carinhosa, ligo toda semana. Quase sempre nossa relação é como um começo de namoro: só love, sem brigas. E lá se vão oito, dez anos de amor. Uma vida, né? Esses amigos seguram minha barra emocional, e eu seguro a deles. Saímos juntos sempre que podemos e nos divertimos como se não houvesse amanhã! A casa deles é minha casa também. Tenho até a liberdade de fazer compras e preparar o almoço. Definitivamente, são meus amores.

Só que nós precisamos crescer, e viver nossa vida de adultos. E quando liguei pra um deles no início do mês, morrendo de saudade e querendo ir ao cinema, descobri que as férias foram estendidas por tempo indeterminado - talvez pra sempre - no nordeste. Que???????? Como assim você até já arrumou trabalho e casa por aí? Tá maluco???? Quando pretendia me contar essa parte? Bom, tudo bem.. ele sempre foi assim, imprevisível.

E então, dias depois, o msn pisca e é o meu fiel escudeiro desde os tempos da faculdade. Querendo minha opinião imparcial sobre aceitar ou não uma proposta de emprego lá longe, pra ficar perto da filha. Por mais que eu seja tirana, mimada e egoísta, nada ganha de uma filha bebê, né? E, mesmo com o coração em mil pedaços e lágrimas nos olhos, minha opinião imparcial foi exposta. E a decisão foi tomada baseada nela. Ou seja, se eu tivesse dito pra ele ficar, talvez ele tivesse ficado.

Mas então ontem, a última barricada. O último dos moicanos amigos mais amados também vai embora. Motivo? Amor. Acabaram as idas ao Engenhão, acabaram os jogos no bar, acabaram os socorros-bem-presentes-na-chuva-torrencial-da-cidade..

A verdade é que eu sempre soube que não duraria para sempre, que em algum momento alguém ia seguir um caminho mais distante do meu. Mas, cara, na boa, o que acontece com essa cidade??? Ela tem repelente de amigos? Eu tô que só tristeza. Se eu não torço por eles?? Claro que torço! São meus amigos, meus amores e, acima de qualquer coisa, quero vê-los felizes. E se a felicidade vai acontecer lá longe, fazer o que, né?! Mas que eu estou triste pra caramba, ah, eu estou.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Totalidade

Não sei ser metade. Não consigo ser "mais ou menos". Meio termo é uma abstração enorme pra mim.
Quando sou amiga, sou amiga por inteiro. Abro minha casa pra abrigar os expatriados; pago a viagem, o jantar ou o café; vou pro tribunal junto; divido apartamento pra facilitar a vida; atendo o telefone no meio da madrugada pra consolar. Sou inteira amiga. Compro o barulho, ofereço a mão, o ombro e a roupa de madrinha. Qual o problema?

Quando gosto de alguém, gosto por inteiro. Gosto do mau humor matinal, das poucas e profundas palavras, dos pequeninos gestos de carinho, das risadas, do tempo compartilhado. Gosto por inteiro, inclusive dos defeitos.

Quando sou namorada, sou namorada por inteiro. Me preocupo; compro presente; ouço as reclamações da sogra; brinco com os sobrinhos; divido a conta; faço cafuné; aturo má fase no trabalho e tensão pré-monografia. Inteirinha namorada. Com direito a ciúme, bico e bilhetinho carinhoso sem motivo.

Quando sou profissional, sou por inteiro! Mergulho de cabeça no projeto proposto. Me empenho, estudo, traço plano de ação, faço e aconteço. Dou sangue, suor e cerveja (ou, no meu caso, suco de uva).

Sou como o Moska, eu me ofereço inteira e você se satisfaz com metade!! NÃO! Por favor, sem metades. Acho que por isso nunca gostei daquele papo de "metade da laranja". Sou uma laranja inteira, oras. Me incomoda profundamente quando não estou inteira em alguma coisa. Do mesmo modo, quando preciso interagir com alguém que é pela metade, fico a beira do surto.

Por isso, digo aqui em alto e bom som que cansei!
Cansei dos amigos pela metade, que não atendem sua ligação nunca e também não encontram meio segundo pra responder um scrap.
Cansei dos amores pela metade, que não compartilham o tempo, as frustrações e os sonhos.
Cansei do trabalho onde só posso ser metade de quem sou de verdade, porque a minha totalidade é demais pra lá.
Agora só quero o que for inteiro. Porque nenhuma metade me satisfaz. Nem mesmo a metade do pão.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Não era pra ser assim

Foi minha escolha. Sempre foi assim.
Não me envolvo, não me apaixono, não arrisco, fico na minha zona de segurança. É tão simples. Claro, não engano ninguém. As cartas estão na mesa desde o princípio. Gosto de saber as regras do jogo, e deixo claras as minhas também. Assim ninguém se machuca, certo?
Errado!!
Dessa vez está doendo aqui. E doendo bastante. É uma sensação estranha, a de não ter. E não estou sabendo lidar com ela. Humpf..

Isso me faz pensar se já não doeu neles também. Será? Será que já se sentiram assim por minha causa? Prefiro pensar que não. Prefiro pensar que isso que está acontecendo agora é só um imprevisto, uma excessão à regra e que logo vai parar de doer.
Mas enquanto não para, eu fico de bico sim. Porque é isso que eu faço quando as coisas não são como eu imaginei que seriam.

Mal educada

Olha, foi o tempo em que eu mentia pra não constranger certas pessoas. Sabe a falta de noção daquela sua amiga gorda que acha que tá abafando num vestido de babado e tecido estampado? E ae ela te pergunta se está bonita? E você fica mais constrangido de dizer a verdade do que ela de usar aquela coisa ridícula??
Ou aquela criatura que precisa urgentemente voltar pra alfabetização, mas se mete a escrever um blog. O texto não tem coesão, coerência, ortografia, gramática... NADA!! E a pessoa pergunta se você gostou e se vai indicar pra outras pessoas??
Ainda tem aquele ser de outro mundo que te paquera. O cabra tem um papo chato, é o oposto daquilo que você admira num homem, é brega, gosta de Claudia Leite e BBB, escreve "agente".. E quando você recusa o convite pra jantar no podrão da esquina, ele insiste que você TEM que dar uma chance a ele???

Cara, de boa, eu reuno toda a minha capacidade de fazer cara de paisagem, toda a concentração pra não ser grosseira, toda a criatividade pra usar palavras educadas, mas eu falo a verdade.

"Amiga, isso tá parecendo capa de bujão. Não acha que uma cor sóbria, um modelão básico e um make menos putanesco cairiam melhor em vc??"

"Ah, desculpa.. até dei uma passadinha, mas seu blog não tem o perfil que me atrai."

"Porque eu sou exigente, nunca me apaixono e não vai ser você que vai conseguir essa proeza".

Assim.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Como ela não teme o futuro?

"Não é possível que não se incomode com a situação do tempo passando. Você não sonha em casar?"


É, eu me incomodo. E me dei conta disso hoje, ao ser inquirida de forma tão direta.
A vida mudou. Cheguei naquela idade estranha, onde aqueles amigos que me acompanharam pela última década e meia estão casados, com filhos, criando cachorro, embarangando, vivendo uma vida "adulta". E eu não acompanhei essas mudanças. De repente todas aquelas pessoas que viajavam comigo, que choraram juntos a morte de Senna, que lamentaram a perda da Copa de 98, que colaram nas provas de Celsinho, tomaram outro rumo na vida. E eu fico perdida nos assuntos de gestantes, noivas, divorciadas, donas de casa.
É aí que surgem os novos amigos que, ou serão mais novos, ou muito mais velhos. E isso é muito estranho, porque o último grande amigo que eu fiz foi há 8 anos.
Sinto falta desses amigos de antes. Ainda me sinto uma estranha para os novos amigos; eles só conhecem a Ruiva parcialmente. E isso incomoda.
Incomoda ter que explicar o medo de escadas; o porquê de não ter me formado; a mudança de graduação; que meu cabelo não é originalmente vermelho e porquê está sempre curto. Incomoda ter que explicar que tenho paladar de criança e que não suporto filme dublado.
Incomoda ainda mais que as pessoas se incomodem com a minha postura diante do futuro.

Não vou mentir e dizer que não penso nisso. Todo mundo pensa. É claro que imagino o dia em que meus filhos vão pular no meu colo com medo de algum filme. Sem dúvida nenhuma quero ter uma família que seja minha.  Acontece que nunca fiz disso uma prioridade. E agora que todos estão brincando de casinha, eu fiquei de fora. Penso em casar. Quem disse que não? Mas se for pra casar com qualquer mané, é melhor como está. Menos apurrinhação pra cabeça.

Não sei se isso é temer o futuro. Se é, então sim, eu temo. E também não sei se há algo que se possa fazer quanto a isso. Acredito que as coisas aconteçam quando chega a hora, porque acredito que há um Deus que me vê e que cuida de mim. Então, diante dessa perspectiva, não me apavoro com a "idade que chega". Vou vivendo a minha vida, fazendo aquilo que gosto, aproveitando a vida sozinha. Porque a hora que tiver que compartilhar com alguém, não quero me lamentar de nada que tenha deixado de fazer. Quando chegar a hora, quero olhar pra trás e pensar que vivi tudo o que há pra viver, que eu me permiti! Sem arrependimentos, sem medo do que está por vir.
 

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