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segunda-feira, 28 de novembro de 2011

É só o meu jeito

Esse findi, na faculdade, alguns colegas ficaram me gastando, me chamando de metida, porque, segundo eles, sou toda "fresca" pra algumas coisas (oi, Bia Bomfim,você não é a única).
Mas não é frescura. É que papai me ensinou a ser educada e gentil, e a falar corretamente. E quando estou entre pessoas que ligam menos pra isso, acabo parecendo um ET.
Porque eu falo correto ao invés de certo, e agradeço quando o garçom traz meu prato; uso um moleskine pra anotar minhas coisas (e chamo de moleskine, ao invés de caderninho) e enfio a cara num livro quando não consigo socializar. Só porque preciso de um leitor de e-book pra faculdade e minha mochila é bonitinha, ou porque uso pendurador de bolsa pra não usar uma cadeira pra isso, as pessoas me chamam de esnobe.
Ou porque estou sempre maquiada (tem noção do que é preciso pra disfarçar essas olheiras de panda??).
Ou porque gosto de ir ao Theatro Municipal e prefiro filme legendado.
Isso não é ser metida. É só o meu jeito. São só as minhas preferências.
Metida eu seria se gastasse todo o meu salário com coisas pra mostrar aos outros. Metida eu seria se fosse grosseira com as pessoas gratuitamente. E te garanto: meu ingresso pro Theatro é geralmente nos setores mais baratos. rsrs
Não é frescura nem esnobismo. É só um jeito diferente de ser.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

O dia em que chorei contando histórias

Guilherme Augusto Araújo Fernandes

Guarde este nome que já vou chegar nele.
Um dia, fui ler uma história para a turma e escolhi um livro qualquer. Julguei pela capa, é verdade (crianças, não façam isso, ok?). Eles pediram tanto para contar uma história que fui na biblioteca, peguei um livro aleatório e voltei pra sala.
O livro era tão bonitinho. Os desenhos não eram lá tão elaborados, mas eram fofinhos.


Então, lá fui eu. Sentamos, cantamos a musiquinha do silêncio e a professora começou a contar a história do Guilherme Augusto Araújo Fernandes.

"Era uma vez um menino chamado Guilherme Augusto Araújo Fernandes e ele nem era tão velho assim.

Sua casa era ao lado de um asilo de velhos e ele conhecia todo mundo que vivia lá.
Ele gostava da Sra. Silvano que tocava piano.
Ele ouvia as histórias arrepiantes que lhe contava o Sr. Cervantes.
Ele brincava com o Sr. Valdemar que adorava remar.
Ajudava a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
E admirava o Sr. Possante que tinha voz de gigante.

Mas a pessoa que ele mais gostava era a Sra. Antônia Maria Diniz Cordeiro, porque ela também tinha quatro nomes, como ele."

Pô, bonitinho, né. As crianças estão se amarrando. Legal! Vambora continuar.

" Ele a chamava de Dona Antônia e contava-lhe todos os seus segredos.

Um dia, Guilherme Augusto escutou sua mãe e seu pai conversando sobre Dona Antônia.
- Coitada da velhinha - disse sua mãe.
- Por que ela é coitada? - perguntou Guilherme Augusto.
- Porque ela perdeu a memória - respondeu seu pai.
- Também, não é para menos - disse sua mãe. - Afinal, ela já tem noventa e seis anos.
- O que é memória? - perguntou Guilherme Augusto.
Ele vivia fazendo perguntas.
- É algo de que você se lembre - respondeu o pai."

Bah... logo uma história sobre velhinhos com Alzheimer, logo quando estou vendo minha vóvs triste por estar perdendo a memória dela.. Mas vambora. As crianças ficarem quietas com uma história é realmente um milagre, então deixa eu terminar.

"Mas Guilherme Augusto queria saber mais; então, ele procurou a Sra. Silvano que tocava piano.

- O que é memória? - perguntou.
- Algo quente, meu filho, algo quente.
Ele procurou o Sr. Cervantes que lhe contava histórias arrepiantes.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo bem antigo, meu caro, algo bem antigo.
Ele procurou o Sr. Valdemar que adorava remar.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz chorar, meu menino, algo que o faz chorar.
Ele procurou a Sra. Mandala que andava com uma bengala.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que o faz rir, meu querido, algo que o faz rir.
Ele procurou o Sr. Possante que tinha voz de gigante.
- O que é memória? - perguntou.
- Algo que vale ouro, meu jovem, algo que vale ouro."

E foi então que a professora maluquinha aqui começou a sentir algo estranho... Tipo uma emoção mais forte, sabe?

"Então Guilherme Augusto voltou para casa, para procurar memórias para Dona Antônia, já que ela havia perdido as suas.

Ele procurou uma antiga caixa de sapatos cheia de conchas, guardadas há muito tempo, e colocou-as com cuidado numa cesta.
Ele achou a marionete, que sempre fizera todo mundo rir, e colocou-a na cesta também.
Ele lembrou-se, com tristeza, da medalha que seu avô lhe tinha dado e colocou-a delicadamente ao lado das conchas.
Depois achou sua bola de futebol, que para ele valia ouro; por fim, entrou no galinheiro e pegou um ovo fresquinho, ainda quente, debaixo da galinha."

E já tinham lágrimas nos meus olhos, mas ainda davam pra disfarçar. As crianças já me olhavam meio de lado, como que pensando que a professora era perturbada, mas eles não tinham muita certeza disso.


"Aí, Guilherme Augusto foi visitar Dona Antônia e deu a ela, uma por uma, cada coisa de sua cesta.
Que criança adorável que me traz essas coisas maravilhosas", pensou Dona Antônia.
E então ela começou a se lembrar.
Ela segurou o ovo ainda quente e contou a Guilherme Augusto sobre um ovinho azul, todo pintado, que havia encontrado uma vez, dentro de um ninho, no jardim da casa de sua tia.
Ela encostou uma das conchas em seu ouvido e lembrou da vez que tinha ido à praia de bonde, há muito tempo, e como sentira calor com suas botas de amarrar.
Ela pegou a medalha e lembrou, com tristeza, de seu irmão mais velho, que havia ido para guerra e que nunca voltou.
Ela sorriu para a marionete e lembrou da vez em que mostrara uma para sua irmãzinha, que rira às gargalhadas, com a boca cheia de mingau.
Ela jogou a bola de futebol para Guilherme Augusto e lembrou do dia em que se conheceram e de todos os segredos que haviam compartilhado.
E os dois sorriram e sorriram, pois toda a memória perdida de Dona Antônia tinha sido encontrada, por um menino que nem era tão velho assim."

E não deu mais pra me conter. Eu chorei. Claro que não sentei no chão e banquei o bezerro desmamado. Mas as lágrimas furtivas acharam de sair com mais volume, e tive que parar num momento ou outro pra secar os olhos, porque estava difícil enxergar. E as crianças me olhando com uma cara estranha, preocupadas porque a tia tava chorando.

Ah, gente, é que eu finjo que não, mas sou emotiva pra caramba. Nem vou dar crédito para a TPM dessa vez. Mas é que velhinhos e crianças mexem comigo de uma forma que vcs não imaginam. Além disso, minha vóvs fofa-linda-querida-amada-salve-salve tá sofrendo disso, meu pai já tem sintomas, então sei como é ver alguém que você ama deixar de ser ela. E ler uma coisa tão fofa, tão delicada assim sobre isso me deixou mole.

É, eu chorei na frente dos meus alunos e estou contando isso publicamente.
Aproveitem, porque, vocês sabem, não é sempre que mostro meu lado frágil por aqui.


Fonte:

FOX, Mem. Guilherme Augusto Araújo Fernandes. São Paulo: Brinque-Book, 1984

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Descendo o morro com a lata na cabeça

Este post contém palavrões. Não recomendado para pessoas muito tímidas, pudicas ou com sangue de barata.

Olha, é impressionante a quantidade de asneira e afronta que sou obrigada a ouvir por ser uma mulher baixinha. Sim porque, a primeira vista eu pareço uma menina indefesa e frágil. Mas tente se meter comigo pra ver que não é bem assim.
Um passageiro idiota achou de fazer isso ontem, quando eu reclamava com o motorista da linha Gávea-Charitas, querendo esclarecimento de onde, afinal, é o ponto do ônibus, porque é comum que eu seja deixada na pista por não estar exatamente no lugar onde eles querem. O detalhe é que no Cais do Porto não tem placa indicando o ponto. A gente vai por indução. E é comum passarem e não pararem, e eu acabo por chegar atrasada no trabalho, mesmo saindo mega cedo de casa, porque os outros não fazem seu trabalho como devem.
Então que o babacão, diante da minha reclamação, falou pro motorista me deixar no ponto, na próxima vez. Eu que já estava puta por saber que me atrasaria, e que não seria por minha culpa, fiquei mais irritada com o comentário do infeliz e respondi que não estava indo pra zona, onde a mãe dele deve trabalhar. Sim, queridos leitores, eu viro uma barraqueira quando tô irritada. Sou phina, sou educada e gentil, mas não ouse ferir meus direitos de cliente e se julgar certo que corre o risco de se deparar com uma mulher louca.
Enfim, o sujeito se ofendeu com minha resposta e começou a gritar que eu era abusada de falar com ele nesses termos, que não sei quem ele é, que ele me vira a mão na cara e eu o chamei pra briga. "Tá gritando porque é com uma mulher? Então parte pra dentro que você vai ver a mulherzinha". Ele não acreditou na minha impertinência e continuou com os insultos, que "como é que uma mulher fala assim??". Bom, claro que eu falo assim. Não me intimido só porque o "oponente" é homem. Pra mim, não tem dessa. Me faltou com respeito, vai ouvir. E pode ser homem, mulher, velho (a), clérigo, chefe...
Mas ele tinha que fechar com chave de ouro a série de insultos e soltar a pérola que mais me deixa irritada: dizer que a irritação é resultado da "falta de dar".  Foi nessa hora que eu perdi completamente a classe, levantei a voz mesmo e respondi:
- Ah, mas claro!!! Porque toda falta de respeito que eu sofro se resolve com uma boa p***cada. Então faz o seguinte, já que eu te faltei com o respeito, vai dar a bunda pra ver se o senhor fica calmo também.

Tá, eu sei que foi baixo. Mas eu fico realmente louca com esse "argumento" de que a mulher tá nervosa porque não dá. Não existe mais nada na nossa vida que nos tire do sério? Tipo uma chefe arbitrária que tenta te prejudicar de todo jeito? Ou mãe de aluno exaltada que grita com você na porta da escola e diretor que defende a mãe ao invés do professor? Ou quatro finais de semana seguidos de prova? Ou gente que compra com você e não paga, te obrigando a ficar sem dinheiro extra pra cobrir gastos alheios? Ou a diretora mudar arbitrariamente o que foi pré combinado e prejudicar seus planos iniciais para as férias? Não, né? Nada disso teria o poder de me tirar do sério se eu estivesse dando. Se fosse assim tão fácil, as mulheres casadas estariam sempre calmas. E os médicos não precisariam receitar calmantes. Era só dizer: Minha filha, dá pro primeiro que aparecer que você vai ficar calminha. Sexo é mais eficiente que Valium.

Será que é?

domingo, 12 de junho de 2011

Faça já!!!

Uma pausa na pausa para algumas reflexões.

Minhas provas começaram no findi passado e fiquei sábado e domingo na faculdade, escrevendo e pensando. Dae que domingo é dia de almoçar na casa da vó. Eu ainda teria prova no findi seguinte (este), então preferi vir direto pra casa, me aquecer um pouco e estudar um tanto mais. "Vou na minha vó domingo que vem.. Já fui no anterior mesmo.. Um só não vai fazer diferença."
Mas fez. Ela faleceu quinta e não vou mais ter a oportunidade de beijar-lhe a cabeça branca e pedir sua benção - que ela ja não conseguia dar, por conta do alzheimer, mas q eu sempre pedia.
Não estou com remorso, mas é aquela sensação de "putz".
Isso me aconteceu com o Fábio também, que desisti de tentar ligar e deixei pro dia seguinte, mas ele morreu na madrugada e não tive mais a oportunidade de dizer o quanto ele era querido.
Então não deixe pra amanhã. Faça hoje. Faça agora!!
Diga ao seu marido que você o ama. Diga a sua filha que ela é linda. Peça perdão e perdoe. Sorria e vá conhecer os lugares que você quer. Pague suas dívidas e arrume seus documentos. Não deixe pra amanhã, pro próximo mês, pro ano que vem. Porque a gente nunca sabe quando vai ser a última chance.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

E por falar em estudar....

Um dos cursos que estou fazendo é sobre alfabetização. Não sou obrigada a fazer, mas como nunca alfabetizei deliberadamente na vida, tenho maior medinho de fazer besteira quando precisar ensinar. Dae lá fui eu estudar. A parada é maneira e tals, a professora é competente, mas as colegas professoras que estudam comigo.......

E então surgiu uma discussão na turma sobre se ensinamos português para brasileiros. Eu, amante da língua e eterna inconformada com os erros crassos que as pessoas comentem, brinquei dizendo que atualmente precisamos sim ensinar português pra brasileiros, "porque é um tal de gente falando menas, seje, douze, duzentas gramas.... não dá pra ser feliz assim". Foi quando uma das alunas achou de dizer alguma coisa sobre crianças não falarem a linguagem culta. Eu repliquei que algumas falam. A pessoa revidou que "elas falam como pequenos adultos e não a linguagem culta".
Bom, se a criança fala como um adulto, fazendo a concordância, usando o verbo no tempo certo e sem usar gíria, ela não fala a linguagem culta? Pra mim, fala. Pra essa aluna, não. E ela resolveu encrespar (logo comigo, logo naquele dia) e se mostrar superior:

- Linguagem culta é a de Machado de Assis. Você lê Machado de Assis?? (me olhando com um olhar superior, claro.)
- Bah, Machado não é língua culta. É língua arcaica, se você não sabe. Mas sim, leio Assis. Leio Saramago também. Leio José de Alencar também. Carlos Drummond, Manuel Bandeira, Mia Couto... Tá bom pra você? =)

Ah, cara, essa gente que não sabe brincar.. Me cansa a beleza, viu?! E ainda querer tirar essa onda comigo de "você lê Assis??"
Porque professor é tudo bitolado. Principalmente os do primeiro segmento (para os leigos: de educação infantil até a quinta série atual), porque o nosso trabalho não requer muita atualização de informações. Na prática, basta repetir, ano a ano, o que foi feito com a turma anterior e o resultado é satisfatório. E nessa o cérebro atrofia e a pessoa fica com o pensamento costurado. Sempre lutei contra isso, porque acho que se eu lido com pessoinhas, se está nas minhas mãos o início da vida acadêmica de alguém, tenho mais é que oferecer o melhor e personalizar esse melhor. Não dá pra fazer sempre a mesma coisa, repetir as mesmas atividades. Pior ainda: não dá pra pensar que criança merece qualquer coisa, qualquer historinha, qualquer atividadezinha. E é por isso que eu leio neurologia, psicologia, biologia, nutrição, literatura, medicina.. Tudo isso me ajuda a desenvolver um trabalho melhor. Além, é claro, de manter meu cérebro ativo e em expansão. Porque eu acho inaceitável um professor com cérebro de ervilha.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Redescobrindo o prazer de rir

Essa semana eu ri. Ri de gargalhar, como não faço há muito tempo.
Foi um ano muito difícil, esse que terminou. E tive bem poucas razões pro riso solto, descontraído, daqueles que todo mundo ri junto, só porque é gostoso. E já não me lembrava de como é bom rir a toa.
Confesso que viajei me sentindo muito culpada. Por vários motivos, que nao vem ao caso, quase desisti de vir. Mas tem sido tão incrivelmente gostoso me desligar completamente de tudo o que me preocupou o ano inteiro. Rir até chorar (ou fazer xixi, o que vier primeiro), comer sem culpa (e engordar mais de dois quilos em uma semana), fotografar T.U.D.O., dormir cedo, dormir tarde, acordar com os pássaros cantando na janela, acordar com o cheiro de café da casa do vizinho e rir, rir muito, até o rosto doer e o fôlego acabar. Por tudo, por nada, porque estou com o Mauro, porque estou viva.. Rir. E me sentir viva de novo, mais jovem até.
Certo era o Bozo, quando dizia que, pra viver, é melhor sempre rir.
Tentarei não esquecer disso quando voltar ao Brasil e a rotina voltar com força.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Depende de como você vê

Hoje eu pedi pra sair da escola onde trabalho desde 2006 e ir pra um novo hospício lugar. Uma das colegas não achou legal, disse que vou fazer falta lá na senzala e tudo. Só que eu tô achando ótimo! Pode até ser que em junho tenha mudado de idéia e descoberto que as professoras da escola nova são tão loucas quanto as da anterior. Mas isso pode não acontecer.
Então eu achei bom sair. A colega achou ruim. Tudo depende de como você vê.

E a viagem que eu faria terça melou pq a amiga tem que apresentar documentos para o novo emprego. Eu fiquei triste de não viajar com ela, mas feliz porque ela está radiante - já que vai ganhar mais e trabalhar em sua área de formação. Tudo depende de como você vê as coisas.

Meu ex cunhado está no Rio. Eu AMEI e minha irmã.... bem, ela ainda não sabe. Mas suponho que não vá achar a idéia tão legal assim. Mais uma vez, tudo depende de como você vê as coisas.

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sobre os ritos

Não tenho mais essas fissuras com reveillon. "Ano Novo" é só o dia seguinte. Depois do primeiro final de semana, toda essa magia que envolve as pessoas desaparece e o mundo volta a ser um lugar meio estranho, com pessoas egoístas, falsas, mesquinhas e más. Mas reveillon é um ritual de passagem. Não sou afeita a superstição, não é isso. Não se trata de achar que traz sorte, ou azar, não me importo com cor de roupa, decoração, romãs, flores, ondas ou fogos. Só acredito na importância dos ritos. Eles existem para sinalizar alguma coisa e, logo, gosto de cumpri-los. É por isso que me importo com alguns pequenos detalhes: onde e com quem. E mais nada.
A festa de reivellon foi tranquila. Estava num lugar que amo, com as pessoas que mais amo - a igreja, com meus irmãos -, então foi perfeito. E passei o dia de ontem na casa das minhas avós. Minha família é muito divertida, então foi um dia divertido.
MAS me dei conta de uma coisa: minha avó está muito muito velhinha. Ela ficou internada no Natal com uma febre sem motivo e agora não quer comer. Como uma pessoa de 98 anos sobrevive sem comida? Vóvs já quase não fala, reconhece poucas pessoas e não se move sozinha. Em outras palavras, não é mais minha avó quem está ali. É só um corpo, porque vóvs já foi faz é tempo. Mas mesmo assim, pensar que o pior pode acontecer enquanto eu estiver fora é bem ruim. Porque o funeral é um rito de despedida bastante importante, e faltar a ele faz parecer que não é real. Levei anos pra assimilar a morte do meu cunhado justamente porque não pude ir ao funeral. Então não quero que vóvs desencarne justo nos dias em que curto minhas férias, porque não terei como voltar. E a idéia de não me despedir adequadamente me assustou um pouco. Então estou torcendo pra que a velhinha viva um pouco mais, pra me esperar para os ritos finais.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O fruto do meu vizinho parece melhor que o meu

Um amigo me disse, durante um papo em que ele falava das dificuldades de ser um casal, que minha escolha era a mais acertada e que ele me invejava por ser solteira e fazer sempre o que quero, quando quero, com quem quero.
O que ele, e muita gente, não percebe é que essa escolha, muitas vezes, implica em solidão.
Não estou reclamando de ser solteira, não é isso, mas algumas vezes isso cansa. Em alguns momentos da vida eu quero ter alguém com quem contar. Porque, como escrevi no texto anterior, sou meio autista e tenho poucos amigos presentes na minha vida; minha mãe não é a pessoa mais carinhosa que conheço e sequer a considero amiga; meus irmãos músicos estão sempre fora da cidade. E quem me resta? Só eu mesma.
Semana passada, depois do último dia de aula das crianças, eu estava feliz com algo que aconteceu e queria - precisava - compartilhar com alguém. Mas quem? Ou na semana anterior, em que eu saí tão transtornada do trabalho que a vontade era parar na FME e pedir pra sair daquela escola naquele momento e nunca mais olhar pra cara de nenhuma daquelas pessoas. Em momentos como esse, tudo o que quero é deitar no colo de alguém e ficar ali quieta até coração e respiração voltarem ao rítmo normal. Mas quem??
Ser solteiro é super legal. Eu adoro, na verdade. Mas também é legal ser um par. Ter um par. Saber que você não está sozinho pra passar por certas coisas na vida. Ou, como diz numa das músicas de Mulan, queremos ter alguém pra quem voltar.

Quando disse isso, ele pareceu tão surpreso. É como se ele achasse que minha vida é perfeita "só porque não tem preocupação com casa e filho". Bom, como sempre digo lá no trabalho quando inventam de me punir com mais trabalho justamente por eu ser solteira, respondo que minha vida já é tão complicada que optei - até agora - por não ter mais essas duas preocupações.
No fundo, é aquilo que dizem por ae: o gramado do outro é sempre mais verde, né?

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Amigo é coisa pra se guardar

Não sei manter amizades. É triste, eu sei, mas também é a verdade.
Sabe essas amizades de filme, em que desde crianças eles fazem tudo juntos, aprontam, se machucam, entram na faculdade e continuam amigos para sempre? Pois não tenho nenhuma dessas histórias pra contar.

Desconfio que tudo começou porque Dona Mãe não gosta de criança. Complicado pra alguém que teve quatro filhos, não é? E como isso resultou na minha inaptidão pra manter amizades? Simples: meus amigos não vinham na minha casa e eu não ia na casa deles. As duas únicas pessoas que vinham brincar comigo eram minha prima (mãe do bebê mais delícia da Terra) e uma vizinha - que foi minha melhor amiga por muitos anos. E eu só saía pra casa delas duas e de uma amiguinha que tinha na igreja dos meus pais - que era um pouco mais velha que eu, mas como o irmão mais novo dela era amigo do meu irmão, eles brincavam juntos e eu brincava de boneca com ela.
E então virei adolescente e o regime ditatorial continou. Muito mal eu viajava com meus tios nas férias, ainda não ficava na casa de ninguém e o telefone também era regulado. Ou seja, socialização quase nenhuma. E Dona Mãe, por não gostar de criança, também não era de levar meus amigos a nenhum lugar. No máximo os sobrinhos, e já basta.
Foi assim que cresci uma pessoa autista. Minhas relações sociais eram com a minha família. Meus 3 manos e os primos eram meus referenciais de amizade. E meu passatempo era sempre isolado ou, no máximo, em dupla: videogame, livros, jogos de estratégia. Isso me tornou muito (mas muito mesmo) diferente das pessoas com as quais tenho que conviver hoje em dia. E uma das grandes diferenças é que me acostumei com a distância entre as pessoas. Não é por mal, mas acabo sempre preferindo fazer as coisas sozinha. Tenho meus amigos queridos? Tenho alguns. Mas se a vida começar a afastar a gente, deixo. Até me esforço um tantinho pra manter o contato, mas se a pessoa não responde, ou demora a dar um retorno, então abro mão. Desde pequena acostumei a ter por perto só o quarteto fantástico, e é com eles que conto desde sempre. Ficar longe deles, aí sim, é uma tortura das grandes.
Se eu sinto invejinha de histórias como as da irmandade do jeans viajante? Sinto pra caramba. Só que nunca vai acontecer pra mim, porque simplesmente não consigo ser esse tipo de amiga. Apesar disso, as pessoas que conquistam meu coração, conquistam pra sempre. Por mais que estejam longe, meu amor por elas é o mesmo. Sinto saudade, me importo e me preocupo da mesma maneira de sempre. Se precisarem de mim, não me nego a estar perto, a ajudar. Só não faço muito esforço pra estar sempre junto. Sabe por que? Porque a distância é a mesma, e se a outra pessoa não se esforça pra vir, pelo menos, até a metade, é porque não se importa tanto. E se não importa tanto, então não faz diferença se eu faço, ou não, contato.
O terapeuta disse, certa vez, que não me importar foi o modo que encontrei pra não sofrer quando as pessoas vão embora, ou me magoam. É provável que ele esteja certo, vai saber..
Mas também é péssima a constatação de que o tempo passou e eu, na verdade, só tenho a mim mesma; que os amigos que mais se importam são os que estão mais longe; que, no fundo, não aprendi a confiar em ninguém.

domingo, 24 de outubro de 2010

Não era pra ninguém ficar sabendo

Há quase um mês que todo domingo é a mesma coisa: vai chegando o fim do dia e eu choro por ter que trabalhar na segunda. Sim, choro mesmo.
Sei que deveria agradecer por ter um emprego, bla bla bla o discurso politicamente correto e chato, mas tudo o que quero é ficar no cantinho, debaixo do cobertor, sem falar com ninguém. E não sei se há alguma razão específica pra me sentir dessa maneira. Será que é a ansiedade pelas férias de janeiro e, com ela, a presença do meu melhor amigo?? Não sei.
E toda segunda de manhã, quando alguns alunos chegam chorando na aula, eu os abraço e digo:
- Sei exatamente como você se sente, amor. Se não fosse tão ridículo pra mim, também estaria chorando agora.

sábado, 23 de outubro de 2010

Xii... esqueci!

Tô pasma. Esqueci como se paquera!
:-s
Dia desses resolvi ir ao jogo sozinha. No auge do meu autismo, levei um livro comigo, pra matar o tempo até a hora do jogo e/ou durante o intervalo. Mas o papo de uns torcedores na fila de trás me tirou daquele mundinho e me levou a dialogar com os sujeitos. Um quarto cidadão, sentado na fileira da frente (que eu já tinha reparado porque era um gato), se juntou a conversa. Na verdade, ele tava esperando a oportunidade pra interagir comigo. Claro que fui simpática, mas só um pouco.
Na hora da comemoração do gol, ele saiu do lugar pra comemorar comigo. Me abraçou, me rodou e, putz, que perfume bommmmmmmmm. Dae que no intervalo, este cidadão está voltando para o lugar dele e acha de me perguntar se acontece de eu receber muitos beijos na rua - pra quem não sabe, a tatoo que eu tenho nas costas é um "kiss me". Em situações normais de temperatura e pressão, eu daria alguma resposta espirituosa tipo "só de quem me pergunta isso", ou "não, mas sempre tem uma primeira vez. Quer ser o primeiro?" Mas não. O que eu fiz??? Fiquei vermelha e ri idiotamente. E quando do segundo gol, arrumei logo algo pra fazer (tipo fingir que falava com alguém ao celular) pra não comemorar com ele.

E hoje na faculdade.. Ai, céus. O cara é um lindo e achou de passar a aula inteira me olhando. E eu não conseguia olhar pra ele!


Pô, até um ano atrás eu praticamente servia como consultora de paquera pras minhas amigas que ficavam solteiras. E agora mal sei me comportar diante de um homem bonito????

Isso, definitivamente, é a derrota do Álamo.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

100 paciência

Se tem uma coisa com a qual minha paciência é -10 é mimadice. Nem de criança (e olha que trabalho com criança pequena, em geral cheias de mimos), que dirá de adultos de 40 anos que se-acham. Eka!!
Pra você entender:
 dia desses uma guria de uns 5 anos tava judiando de um menininho de 2. Mandei parar uma vez, duas vezes, na terceira eu segurei a garota (o menino é um chumbinho; era mais fácil segurar a meliante que pegar a vítima no colo). Ela, de birra, se jogou pra traz e quase deu com a cabeça na quina da mesa. Segurei mais essa vez, tentando evitar um acidente. Ae a sujeita achou por bem me chutar, me morder e me bater. O que eu fiz? Larguei ela e peguei o menininho pela mao. A garota caiu no chao, começou a chorar. Foi quando os adultos chegaram e ficaram olhando pra mim com espanto. Me limitei a dizer que "criança nenhuma encosta a mao em mim" e continuei andando, de maos dadas com o pequeno.

Agora pense na minha reação quando um adulto dá uns xiliques de mimo?! Sabe aquelas caras de "aff"? Pois, sao várias dessas.
Ainda no início do mês fui obrigada a ouvir que "é o meu sonho!! Você tem que entender". Olha, eu entendo se o seu sonho for realizado com o seu dinheiro. Quando você quer que o SEU sonho seja realizado com o MEU dinheiro, quem tem que entender é você. Mas, pra nao perder a amizade (se bem que depois disso eu pensei bastante se a pessoa realmente me considera também), só fui firme na decisão de "nao entender", e fim de papo.

E se nao fosse suficiente, semana passada precisei administrar o ego de outro adulto mimado. Cara, nao posso fazer nada se o meu jeito chama atenção. Eu sou teatral pra caramba e nao há o que fazer a respeito. Mudar por causa dos outros é me agredir. E a pessoa fica com ciúme, porque quer a atenção de todos só pra si. Acontece que eu nao faço NADA pra chamar a atenção de ninguém. Por mais que isso seja contraditório, sou teatral, mas sou encabulada. Ae que nego surta com o meu jeito e faz o maior climao entre os amigos por causa disso, falando que eu disse e fiz o que eu nao disse e tampouco fiz. E quando eu dei o meu xilique porque meu nome tava na boca do povo mais que pasta de dente barata, a pessoa ainda se fez de vítima.
Ah que num tô podendo com essas coisas.
E o que a Ruiva faz numa hora dessas? Cara de paisagem. Porque, na boa, a paciência já se foi há muito.

sábado, 28 de agosto de 2010

Nove coisas sobre mim - MEME

A Júuh, do ...levemente doce me indicou pra um meme onde eu devo contar nove curiosidades sobre a minha pessoa.

Já fiz um post sobre isso há tempos, então, dessa vez, falarei de coisas relacionadas a minha vida familiar:

1. Sou a segunda, de quatro filhos. E a única branca. Isso me trouxe muitos traumas na infância, já que o Gui (o mais velho) vivia dizendo que eu tinha sido achada na lixeira do hospital. E eu acreditava nele. humpf

2. Dos 4 filhos, fui a única que estudou a vida toda em colégio particular. Por isso mesmo nunca me atrevi a pedir presentes caros pra paps, ou pedir pra ele bancar minha faculdade ou auto-escola (coisa que ele fez pra outros filhos).

3. Sou a menos inteligente dos 4. Os meninos são músicos conceituados, minha mana é cientista/historiadora/culinarista. E eu.... eu sou professora. huahuahuahua

4. Queimei o braço, aos 10 anos de idade, quando me meti a mestre-cuca e fui mexer o doce de goiaba que mams tava fazendo. Ela saiu de perto do fogão pra trocar a fralda da bebê que tava aqui e eu, muito metidona, meti a colher onde não fui chamada. O doce espirrou, eu me assustei, joguei a colher pra cima e caiu  no braço esquerdo. Só não queimou o rosto pq o cabelo estava solto e ficou emplastado de doce fervente. O braço é marcado até hoje.

5. Moro no mesmo bairro há 25 anos e conheço pouco mais de dez vizinhos. Autismo pouco é bobagem.

6. Já dei aula particular aqui em casa e a maioria dos ex-alunos viraram amigos. Tão amigos que até saí com um deles, recentemente. huahua

7. Amo minhas primas. Mas gosto mesmo dos primos. Não tem um que seja bom da cabeça. Me acabo de rir com aqueles loucos. Pena que moram todos em cidades diferentes.. Até em países diferentes. Por isso o Natal é tão especial pra mim: todos os surtados voltam ao hospício de origem (e não, nunca peguei nenhum deles).

8. Sou completamente apaixonada por livros. Paps me ensinou a gostar, desde novinha. Sou muito mais ler um bom livro que ver TV. Aliás, a TV do meu quarto só serve pra ver CSI e pra juntar poeira.

9. A casa de mams tem dois andares. E a escada para o segundo andar fica na cozinha. Logo, desde muito pequena, sou muito mais ficar sentada no degrau da escada que na cadeira da mesa. Vai entender......

sábado, 21 de agosto de 2010

Do mesmo tamanho

Você é daquele tipo de pessoa que só faz questão do que é seu. Faz questão do seu bolinho no café, do seu quarto arrumado, da sua hora de almoço, de que seu livro volte inteiro e que o dvd não esteja arranhado; faz questão do seu material de trabalho devolvido e de lençol limpo pra dormir.
Só que você convive com pessoas mesquinhas, que fazem questão de coisas ridículas e que, por isso, se metem na sua vida, tentando controlar o que você faz ou deixa de fazer
.
E de repente você, que nunca fez questão do que diz respeito aos outros, começa a se comportar como elas. E passa a fazer questão de ser mesquinha "só pra pagar na mesma moeda". Passa a reivindicar as mesmas coisas idiotas, a fazer questão de "um minuto que ela teve a mais que eu".

E então você percebe que está se igualando. E ficando do tamanho delas: pequena, ridícula e mesquinha, da mesma forma que aquelas que você sempre desprezou, por terem o pensamento verde.

Mas nem tudo está perdido. De repente você percebe que precisa fazer questão de uma única coisa: a sua sanidade mental!!! E que se dane o resto.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Servidor Público

Eu que sou muito cricri ou as pessoas esquecem a razão de ser das coisas?
Porque, até onde eu me lembro, o servidor público está ali para servir ao público. Tô falando alguma bobagem? Mas ae nego fica se achando, exclusivamente porque tem estabilidade trabalhista, e presta um serviço indigno e mega mal feito. E se você quiser reclamar de estar sendo mal atendido, ainda tem a lei que diz que desacatar funcionário público no exercício da função é crime.
E aí você me pergunta: mas você não é funcionária pública? E eu respondo: Sou. Mas sei exatamente qual é o meu lugar e procuro fazer o melhor que consigo.

Infelizmente esse não é o caso de muita gente, e no dia que fiz lá a RM fui vítima de uma servidora arrogante. Tudo bem, gente, eu entendo que trabalhar em hospital é estressante e que a toda hora chega gente quebrada, a beira da morte e que uma furadinha na mão não é nada comparado a isso. Mas, pô mermão, graças a Deus nunca me quebrei, nem nunca sofri nenhum acidente grave, mas as minhas pequenas dores são, pra mim, enormes. E quando eu tava lá sentindo uma dor do cão pq a enfermeira não achava minha veia e me furou umas cinco vezes e depois forçou 0 acesso nos ossinhos da minha mão, minha pressão despencou e quase que a Ruiva aqui desmaiou. Ao invés de me prestar um atendimento adequado, ela me chamou de fresca e disse que se eu quisesse atendimento vip que pagasse uma clinica particular. Maluco, eu pago impostos caros pacarai pra usar a droga do hospital público. Qual o problema???????? Se não tenho plano de saúde? Tenho. Mas existe uma coisa chamada carência e eu só poderia fazer esse exame no final do ano, mas preciso dele pra djá. Nada mais justo que fazer valer a dinheirama de impostos pagos e usar o serviço "gratuito" que o governo oferece aos cidadãos, certo? Pois pra ela eu estava errada. Ela podia estrupiar minha veia e eu não podia reclamar. Depois de doze horas de jejum (inclusive de água), de um atraso de quase quatro horas até ser atendida, ainda tenho que ouvir uma coisa dessas. Só que eu tava tão fraca, tão preocupada em não desmaiar sozinha naquele corredor mais frio que a Sibéria, vestindo aquele avental patético, que nem tive vontade de responder a altura.
E foi tanto "frescura minha" que a veia tá inchada até hoje, a mão tá verde por conta do hematoma e o braço dói até o ombro.
O que aconteceu? O acesso não tava bem feito e provavelmente vasou contraste pra pele.

Tô muito indignada com isso. Não é a primeira vez que sou vítima de uma grosseria vinda de quem deveria prestar um bom serviço. E fico p* com isso, até porque quem paga o salário dessa gente sou eu e é você , cidadão, e mesmo assim somos tratados de qualquer maneira.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Peter Perfeito

Esses dias minha mana fez uma entrevista de emprego. Dentre tantas perguntas comuns ao processo, uma era qual o defeito do indivíduo. Bê fica louca quando as pessoas respondem que são perfeccionistas e não são (a louca é de verdade, e isso, se não chega a ser um defeito de fato, sem dúvida é um problemão). Um dos meninos disse que tem preguiça de fazer as coisas. Achei digno ele se assumir, mas foi tremenda burrice dizer isso numa entrevista. Ela não chegou a responder essa; o entrevistador mudou a pergunta antes de chegar a ela.
Quando chegou em casa, ela me perguntou qual defeito poderia revelar numa situação dessas. Porque a gente tem uns defeitinhos escabrosos e nunca é bom revelar, né mesmo? Aliás, a gente não. Vocês. Eu poderia facilmente ser o alter ego daquele personagem da Hanna Barbera, o Peter Perfeito (ah, vai.. se você tem mais de 25 anos, sabe de quem eu estou falando). E meus amigos também. Afinal, amigo nosso não tem defeito. Mas os inimigos.... se não tiverem, eu invento. Rsrsrs



Brincadeiras a parte, a Elise escreveu sobre isso no blog dela esses dias e, somado ao papo com a mana sobre o assunto, me inspirou a assumir meu lado negro na força.

Bom, pra início de conversa, eu sou cruel quando estou irritada com alguém. Do tipo que vai direto na ferida, com algodão cheio de álcool. Sem piedade.
E também sou manipuladora. Não chego a ser daquelas pessoas escrotas, que não medem esforços e que usam as pessoas, mas vou manipulando situações e sentimentos alheios até conseguir o que eu quero. Pode até levar uns dias, algumas semanas, mas consigo.
Sou mega intolerante com pessoas "estudadas" e que, mesmo assim, são burras, não pensam fora do quadrado ou são incapazes de compreender coisas simples e argumentações claras. Desdenho logo e uso do meu sarcasmo master pra dar aquela tripudiada.
Não tenho controle do meu dinheiro. E acho que metade das mulheres sofre do mesmo mal. De repente a conta tá quase seca e eu fico de péssimo humor por isso.
Sou vingativa pra caramba. Não que eu fique maquinando uma maneira, mas às vezes a oportunidade cai no meu colo. Nesse caso, faço bom uso e me vingo feliz.
Ah, e claro, me acho o máximo. Não sempre e não em tudo. Mas é que quando me proponho a fazer algo, faço tão bem feito que chego a pensar que dificilmente alguém fará melhor que eu (e normalmente estou certa). rsrs

Sei que esse post é um prato cheio para algumas pessoas que estão loucas pra atirarem pedras. Mas, quer saber, tô nem ae.

terça-feira, 25 de maio de 2010

É tããããããããão legal quando as pessoas caem, feito patinhos, nas suas jogadas..
rsrsrs

É... Definitivamente, "ardilosa" é uma palavra que também me define.
huahuahuahua (riso maléfico)

Quando o inimigo é gente boa

Quando li a chamada do G1, no domingo, sobre um estudante de direito que matou um travesti, fiquei ligeiramente chocada. Mas quando vi a foto do sujeito, quase caí pra tras.
Eu conheço ele. Frequentamos um acampamento de jovens, a mesma turma na igreja. E, pasme, ele era um cara legal. Muito legal, por sinal. A notícia de que ele matou alguém me deixou realmente estupefata. Putz, era um cara de família tradicional. Os pais são gente super descente. Ele estudava direito, e tinha um senso de moral bem elevado. Isso tudo não faria o menor sentido, se não fosse o fato dele, agora, ser usuário dessa droga sintética devastadora, o crack.
Toda essa situação só confirma que não é preciso a pessoa ter pai bandido pra que a mesma siga um caminho torpe. Ela pode ter sido muito bem criada e, mesmo assim, se tornar um assassino, ou ladrão. E também prova que a gente não conhece ninguém de verdade...

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Transporte público e barraco

Já ouvi falar, algumas vezes, que meu senso de justiça é muito forte. E concordo com isso. Respeito os direitos alheios, e o mínimo que espero é que meu direito seja respeitado também. Quando isso não acontece...... Bem, não é lá uma coisa bonita de se ver, nem de contar. Mas vou contar assim mesmo.

Não é mais segredo pra ninguém que tenho pavor de lugar cheio. Qualquer lugar que seja. Exatamente por isso não vou a shows, não pego metrô no Rio, não vou a praia nos finais de semana, ao banco em dia de pagamento, ao mercado no início do mês e ao shopping em véspera de datas comemorativas (aliás, só consigo ficar em lugar cheio se tiver muito vento no meu rosto). Por causa disso, todos os dias acordo mais cedo, gasto mais dinheiro e pego o ônibus no ponto final, pra vir devidamente acomodada, sem o risco de ser sarrada ou ficar espremida sob o suvaco de alguém. Hoje não foi diferente. Acontece que o raio do motor do ônibus estava superaquecendo (é junto?) e ia parar a qualquer momento. O que o fiscal fez? Mandou o motorista seguir viagem "até onde der". Nessa hora a pessoa levantou e se dirigiu a ele: "Então o senhor, por favor, devolva meu dinheiro pra que eu pegue outro ônibus aqui mesmo, enquanto não está lotado". Ele respondeu que não podia, que eu teria que esperar um outro da mesma empresa, bla bla bla. Eu falei na educação, embora sem sorrisos, e recebi uma resposta áspera. Bem, meu metro e meio rapidinho se transformou em dois metros e meio. Saquei o celular e respondi a ele que existe uma lei que me garante esse direito de restituição do trecho não concluído, e que se isso me fosse negado, a polícia ia ser acionada. O que aconteceu? Os passageiros se insurgiram e o fiscal mandou voltar e trocar de veículo.
Melhor assim, né?

Na volta pra casa, resolvi vir de trem (o que ainda considero a treva, mas é rápido). O raio do troço era daqueles antigos, que só tem segurador no teto. O que uma anã de jardim faz numa situação dessas?? Se equilibra nas poucas barras de ferro verticais dispostas ao longo do vagão. Acontece que tinha um sujeito encostado na barra mais próxima - que era estratégicamente perto de uma janela. Se eu mudasse de lugar, não teria janela e o desmaio seria líquido e certo. O que a pessoa faz? Força a mão pra segurar na barra. O que o sujeito faz? Empurra o corpo com toda força na mão da pessoa. Educadamente - eu sempre sou educada primeiro (raramente sorridente, mas sempre educada) - peço pra ele ceder espaço, afinal aquilo não foi feito pra se encostar. Ele me olhou por sobre o ombro, viu que eu era metade dele e achou que podia se criar. Levantou a voz (provavelmente pra se mostrar machão pra fêmea que estava com ele) e disse que estava ali primeiro, que ninguém tinha reclamado e que ficaria ali. A sujeita aqui é pequena, mas o que falta de tamanho sobra em falta de noção, e respondi que ele podia ficar, "mas se machucar minha mão, a porrada ia estancar na porra do trem". Claro que ele achou que falaria mais alto e ficaria por isso mesmo. Ameaçou levantar a mão e eu disse que ligaria pra policia, mas não sem antes deixa-lo estéril. Foi quando ele gritou um "vá se foder". Nesse momento eu sorri. Sorri e mandei um "quer me ajudar com isso?"
As pessoas que ouviam riram, ele ficou sem graça e ficou resmungando.
Eu liguei o mp3, segurei na barra vertical e vim sacolejando no balanço do trem.

Por isso, um aviso:
Se vc pensar em me lesar de alguma forma, veja bem se vale a pena o risco. Porque, de uma maneira ou de outra, vou fazer valer meus direitos. Nem que seja no grito.
 

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